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O dia em que o cantor Claudinho deu uma aula de vida para alunos do Imirim

06 ABR 2016
06 de Abril de 2016

O ano era 1999. O local era o pátio da Escola Prof. Joaquim Leme do Prado, ali na esquina da Avenida Imirim com a Engenheiro Caetano Álvares.

Numa tarde, durante o intervalo dos alunos, funcionários da escola faziam uma espécie de "parede humana", como que quisessem esconder algo.

Houve uma convocação geral para que todos os olhares se concentrassem naquele palco. Até a imponente diretora da época, dona Luci, estava no palco com pose de anfitriã prestes a receber um convidado especial.

A diretora, conhecida pelo seu temperamento forte, muitas vezes agressiva na forma de falar, parecia mais doce ao cumprimentar a todos que ali estavam e anunciou a visita de um convidado ilustre. 

Eis que a "parede humana" foi desfeita e todos avistaram um cantor, conhecido na época por seus funks "românticos", muito diferentes dos que estamos acostumados a ouvir hoje.

Era Claudinho, da dupla "Claudinho e Buchecha", famoso por emplacar sucessos como "Conquista" (Sabe, tchurururu... Estou louco pra te ver. Oh, yes!...) e "Só love".

Os alunos ficaram eufóricos ao ver o jovem cantor e o receberam com muitos aplausos e gritos. 

Enganou-se quem achou que o ilustre visitante estava ali para dar um show ou divulgar seu novo trabalho. Na verdade, quem estava li, segundo palavras dele mesmo, não era o Claudinho, mas sim o Cláudio Rodrigues de Mattos, o jovem nascido na periferia de São Gonçalo, interior do Rio de Janeiro.

Centenas de alunos, da 5ª a 7ª série, e funcionários da escola, fizeram um silêncio nunca presenciado em um "recreio" para ouvir um pouco da história de Claudinho contada por ele mesmo. 

Claudinho falou de sua infância humilde e como driblou os obstáculos que a vida de um garoto pobre numa região carente lhe apresentou. 

O cantor falou da realidade do crime e das drogas, para as quais foi "convidado a experimentar" mas que sempre as rejeitou. Falou também dos amigos que perdeu para esses males da sociedade.

A hora do intervalo transformou-se em uma "Aula Magna", uma aula de vida, de superação. Claudinho na época tinha 23 anos e falava para uma maioria de seus 11 a 15 anos. 

A mensagem de Claudinho era um alerta para a valorização dos estudos e afastamento das seduções do crime e das drogas, e também um testemunho de superação, visto que ele seguiu uma rota diferente da perspectiva que lhe era apresentada.

Independentemente de ser fã ou não do artista, muitos ficaram admirados e emocionados com a disposição de Claudinho em compartilhar sua história de vida de forma tão gratuita e generosa, sem nenhum apelo para a venda de shows ou CDs. 

Ao final, Claudinho compartilhou com os alunos uma notícia que o havia deixado muito feliz naquela semana: ele havia descoberto que seria pai de uma menina. 

A palestra foi encerrada com Claudinho e os alunos cantando em coro e dançando (a coreografia clássica a la Claudinho e Buchecha) "Sabe, tchurururu... Estou louco pra te ver... Oh yes!"

Claudinho faleceu em 2002, três anos após essa visita, vítima de um acidente de carro.


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