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Professora de Libras do bairro fala sobre seu trabalho com crianças surdas

26 SET 2017
26 de Setembro de 2017

O dia 26 de setembro é o Dia Nacional do Surdo e, hoje, o Guia Imirim aproveita a oportunidade para falar de inclusão, além de parabenizar todos os nossos Vizinhos surdos por essa data, que marca uma conquista na luta pela inclusão e igualdade.

 

A data foi criada pela lei nº 11.796/08 e escolhida porque em 1857, na mesma data, aconteceu a inauguração da primeira escola para surdos do Brasil, o INES (Instituto Nacional de Educação para Surdos) na cidade do Rio de Janeiro.


A Libras utiliza as mãos para comunicar com gestos, sinais e alfabeto, porém a comunicação acontece com o uso do corpo todo, não apenas com as mãos que são o destaque.

 

O Guia Imirim conversou com a vizinha, Daniele Rocha, que é professora bilíngüe (ouvintes e surdos) e intérprete de Libras e pudemos conhecer um pouco sobre a experiência dela em trabalhar com quem tem um jeito especial de se comunicar. Confira!

 

A história da Daniele com a Libras começou na infância quando ela curtia o “Xou da Xuxa” e via os gestos feitos numa música famosa da artista, o “Abecedário da Xuxa”, que a cada letra do alfabeto dizia uma palavra e a letra era feita em Libras. A Daniele nem sabia que se tratava de uma língua, pra ela os gestos eram a coreografia da música.

 

Mais tarde, o pai dela trouxe para casa um folheto com todo o alfabeto em Libras e, ela que já gostava, começou a se interessar e a aprender.

 

A primeira aluna foi a irmã com quem ela se comunicava em Libras para “aprontar”, brincar e contar segredos, já que ninguém na família ou amigos sabia o que elas estavam falando.

 

(Ah, a Daniele não tinha parentes ou amigos surdos!)

 

Na época do vestibular ela descobriu o curso de “Educação de deficientes da áudio comunicação” e se formou em pedagogia especializada na educação de surdos. A partir daí, a Daniele começou a aprimorar o que tinha aprendido como autodidata e a atuar na área da educação, alfabetizando crianças surdas.

 

Sempre que perguntam pra ela como é ensinar surdos a ler, ela responde: “Do mesmo jeito que com o ouvinte, mas ao invés de falar com a boca eu falo com as mãos. Diferente dos ouvintes que partem do pequeno e vão construindo o todo, com a educação de surdos, eu começo do todo e vou encaixando as partes do todo dentro do contexto. [...] sempre com muita vivência, pois não se pode esquecer de que a Libras é uma língua visual, seu corpo fala e não só as mãos”.


Como no Imirim não temos escolas para surdos, a Daniele, quando trabalhou em escolas especializadas, saia daqui e atravessava a cidade para lecionar na Vila Clementino e em Santo Amaro.

 

Ela contou pra gente que a distância e o tempo gasto para chegar ao trabalho nunca foram problemas, porque ela faz isso com muito amor: “Um ano após me formar fui lecionar numa escola de surdos em Santo Amaro, a Brascri (e morando no Imirim eram “só” 3 horas no transporte público pra ir e pra voltar), mas eu nem ligava para a distância, eu amava aquela escola!!!!”


Apesar de não termos escolas para surdos no Imirim, a lei de inclusão prevê que, todo estabelecimento de ensino - público ou particular - deve aceitar o aluno surdo e providenciar intérprete de Libras para acompanhá-lo, oferecendo educação bilíngue, em libras como primeira língua e na modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua.


Se você tiver interesse em aprender Libras, a USP oferece um curso on line e gratuito. Basta acessar o site e seguir as orientações .

 

E, nessa semana, o Santana Parque Shopping está realizando a “Semana da Boa Audição” com palestras e bate-papos com fonoaudiólogos para falar sobre a saúde auditiva. O evento vai até o dia 1º de outubro e acontece no primeiro piso do shopping em frente a entrada principal. Para mais informações, clique aqui.

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